
Quem tem mais de 40 anos talvez se lembre dos tratamentos preventivos feitos com vermífugos, em casa mesmo, pelo menos uma vez por ano. No dia fatídico, os pais reuniam os filhos e praticamente obrigavam os pequenos a engolir o remédio, que em nada se comparava aos medicamentos que temos hoje no mercado e que até caem no gosto da criançada, de tão saborosos que são.
Atualmente, o hábito já não é mais tão comum. As doenças causadas por parasitas, no entanto, estão longe de ser coisa do passado. "As verminoses ainda podem ser consideradas uma epidemia, pois são muito comuns no mundo todo, não apenas nas áreas rurais como também nos grandes centros urbanos. Tanto que, quando uma criança chega ao consultório queixando-se de dores abdominais, a primeira causa a ser investigada é a presença de parasitas".
Além da dor de barriga tão característica, a pessoa que apresenta um quadro de verminose pode sofrer com flatulência, náuseas, vômitos e diarréias.
Falta de apetite ou muita fome, dificuldade de ganhar peso e deficiências no crescimento também podem estar relacionadas à chegada desses inquilinos desagradáveis. "Se imaginarmos que aquele verme, instalado no organismo, pode consumir parte dos nutrientes que ingerimos, fica fácil entender por que uma doença como essa pode comprometer o desenvolvimento, levando a quadros de anemia".
Como os alimentos são o nosso combustível, não é raro que pessoa que apresentem esse problema se queixe de cansaço, desânimo, falta de vontade de realizar as atividades da rotina. Nas crianças, ele pode até ter um impacto sobre o rendimento escolar.
Em alguns casos, o parasita pode se locomover, transitando também pelas vias aéreas e provocando febre, tosse e até falta de ar. A presença desses vermes em outras regiões próximas ao intestino ainda pode ser apontada como uma das causas para quadros de pancreatite ou inflamações das vias biliares. Sintomas alérgicos, como dermatoses, rinites e conjuntivites, também podem ser notados em algumas pessoas contaminadas.
Importante lembrar, no entanto, que boa parte dos que entram em contato com algum tipo de parasitose não apresenta sequer um sintoma. As perdas para a saúde podem vir com o tempo e, nesse caso, são ainda maiores. "Se a pessoa tiver uma infestação muito grande, há o perigo de sofrer uma obstrução intestinal ou mesmo das vias aéreas, já que os vermes formam uma espécie de novelo de lã que se movimenta pelo organismo".
O exame parasitológico das fezes deve ser feito pelo menos duas vezes por ano, como um diagnóstico de rotina. No material colhido, será analisada a presença de vermes adultos ou de ovos desses organismos.
“Como os parasitas têm um ciclo, é muito grande o risco de não estarem colocando ovos no período em que foi colhida a amostra”.
BOA PARTE DAS PESSOAS QUE ENTRAM EM CONTATO COM ALGUM TIPO DE PARASITOSE NÃO APRESENTA NENHUM SINTOMA
Para eliminá-los
Na maioria dos casos, esses microorganismos, capazes de provocar tanto desconforto e até quadros clínicos de maior gravidade, pegam carona na água que bebemos e nos alimentos e se instalam comodamente em nosso organismo, onde crescem e se reproduzem.
Mas existem também outras formas de contágio, que variam de acordo com o tipo de verme. Alguns só conseguem chegar ao organismo perfurando a pele, o que pressupõe o contato direto com a larva.
Outros parasitas chegam ao corpo pela aspiração e, nesse caso, vão parar primeiramente nas vias aéreas Por isso mesmo, é bom dedicar todo cuidado à higiene pessoal e dos ambientes.
As regras básicas aprendidas na infância continuam valendo, especialmente as que nos pedem para lavar muito bem as mãos depois de ir ao banheiro e antes de sentar-se à mesa e evitar o contato da boca com objetos que não foram previamente higienizados.
Fonte –Maria Cristina Segatto –farmacêutica.
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